terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Bom Cinema de Woody Allen Pt. 1

Não é somente de maravilhas que o cinema de Woody Allen vive. Aliás, poderia fazer vários posts apenas sobre os fiascos. Ainda assim, Allen dirigiu filmes que se tornaram clássicos e mesmo que hoje ele tenha dificuldade em resgatar aquela genialidade de outrora, continua acertando a mão vez ou outra. Deixo abaixo uma lista com os filmes que considero melhores. 


Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall - 1977):

Em minha opinião esse é o melhor filme de Woody Allen. É também o filme que lhe deu mais projeção. Annie Hall se destacou desde o início por sua singularidade, linguagem original e pela marcante ironia e sagacidade do diretor. Na história um humorista pessimista e incorrigivelmente sarcástico, interpretado pelo próprio Allen, embarca num novo relacionamento enquanto ainda está superando o término do último.  Inteligente, interessante, engraçado e uma verdadeira obra prima do cinema. Ganhador do Oscar de Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original e Atriz (para Diane Keaton).

Manhattan - 1979:

Aqui Woody Allen novamente interpreta o protagonista. Pode ser que eu esteja enganado, mas o diretor sempre encarna o mesmo personagem (que suspeito seja ele mesmo), independente do contexto ou se é o protagonista ou não. Isso não chega a incomodar, com exceção dos filmes em que ele faz um auto plágio descarado de tudo o que já criou antes, como é o caso do péssimo Scoop - O Grande Furo. Quase tão bom quanto o anterior (Annie Hall), Manhattan mostra uma Nova York bastante relevante para  história e que não serve apenas como cenário ou plano de fundo, mas sim como uma personagem à parte. A trama gira em torno de relacionamentos conturbados e inconstantes, explorados de forma magistral.

A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo - 1985):

Nesse filme Woody Allen atinge o máximo da metalinguagem. Esse é um dos recursos muito utilizados por ele; já havíamos visto isso em seus filmes anteriores e foi algo que continuou sendo usado nos filmes posteriores. Na história, que se passa na época da Grande Depressão americana, acompanhamos a vida de Cecília (Mia Farrow), uma mulher submissa ao marido e que aceita o desrespeito e completa falta de companheirismo do mesmo. O alívio para esse mar de mediocridade e insatisfação que cerca a personagem por todos os lados é o cinema. É em frente da grande tela que ela encontra refúgio para a sua realidade. Tudo muda quando o protagonista de um filme resolve sair da tela para conhecer sua grande fã.

Tudo Pode dar Certo (Whatever Works - 2009):

Tenho um post sobre esse filme e você pode ler “aqui”.  Essa é outra obra em que a metalinguagem é muita utilizada. O protagonista, Boris (Larry David), mais de uma vez se levanta de onde está e caminha em direção à câmera, conversando com o público. Na primeira vez em que faz isso, as personagens ao seu redor o olham com estranheza. Um menino na rua chega a gritar “Mãe, aquele homem está falando sozinho!”. Boris é um físico frustrado com a vida e com a insignificância e efemeridade de tudo. Inclusive tenta se matar num surto de crise existencial. Concordo com ele quando diz que a inevitabilidade da morte é inadmissível. O interessante do filme está em ver como as pessoas ao redor do personagem vão se transformando a partir de um evento aparentemente insignificante, mas que foi o catalisador de tudo.

Meia Noite em Paris (Midnight in Paris - 2011):

Exemplo perfeito de que uma comédia romântica pode sim ser boa. Eu já tinha ressaltado isso quando falei do filme 500 Dias Com Ela, mas é sempre bom relembrar. Partindo de uma premissa simples, o filme nos apresenta Gil (Owen Wilson), um homem insatisfeito com o seu trabalho e com a época em que vive. Não seria um filme de Woody Allen se não houvesse uma pitada de nonsense, então o momento “nem fude#%@” é quando ele é convidado para entrar num carro, aceita a carona e é transportado para outra Paris. Gil se depara como várias figuras renomadas, como Salvador Dali, Scott e Zelda Fitzgerald, Cole Porter, Ernest Hemingway entre outros. Encerro essa Parte 1 recomendando a análise da roteirista Tatiane de Mello. 

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